The lost art of defining a concept

During the last weeks I’ve come across two texts in English which were dealing with concepts that are intrinsically Brazilian: first, the setting up of university quotas to state school students (published by the BBC World News) and, second, the introduction of the idea around a rodízio barbecue for first-time visitors to Brazil (a not truly recent article written by Prof. Michael Jacobs and originally published in the New Routes magazine).

Do you agree that it’s no easy task to explain such concepts to people who have never been to Brazil? It’s the kind of hurdle that translators often find extremelly difficult to overcome and the kind of vocabulary that students love to check with their teachers, just to put a strain on their knowledge and resilience😉

Anyway, take a look at how BBC explains the quotas’ system, the concept of  “vestibular” and observe how gobsmacked they seem when trying to understand how prestige and government investing apply to our private and state schools:

The Brazilian Senate has approved a bill that reserves half the places in the country’s prestigious federal universities to state school students. (…) The reserved spots will be distributed among black, mixed race and indigenous students according to the racial make-up of each Brazilian state. Private school students are usually better prepared than pupils from the public school system for the tough university entry exams (…) They get most of the places in federal universities, which paradoxically are heavily subsidised and virtually free of charge.

But it’s just a piece of news, whereas the article on rodízio barbecue could easily qualify as a (poetic) essay at heart:

Suffice to say that it’s an all-you-can-eat affair. Now, try to imagine all the prime cuts of meat you can eat for a fixed price served sizzling, steaming and smoking on your plate and you can just begin to imagine it for what it is, and what wonders you’re in for when you take your place. The word rodízio means something that swivels, circles, rotates, gyrates, that comes or goes round. In our case it’s the waiters who come round, and round, and round, and… Get the idea? They only stop coming round when you say ‘enough’ or simply collapse, prostrated through exhaustion brought on by SPS (Sudden Protein Shock).

So, were these a good effort, in your point of view? Would you have explained them in a different way? What other concepts are particularly thorny to define?

You can read the full texts here:                                                                http://www.bbc.co.uk/news/world-latin-america-19188610   http://www.teclasap.com.br/blog/2006/11/22/artigo-barbecue-in-abundance/

English: Brazil Português: Brasil Русский: Бра...

English: Brazil Português: Brasil Русский: Бразилия (Photo credit: Wikipedia)

Nas últimas semanas me deparei com dois textos em inglês discutindo conceitos intrinsicamente brasileiros: o primeiro deles falava sobre a lei das quotas para estudantes de colégios estaduais em faculdades federais (publicado pela BBC World News) e o segundo sobre como explicar o que é o nosso rodízio de carnes a um estrangeiro (texto não exatamente recente do Prof. Michael Jacobs e originalmente publicado na revista New Routes).

Conceitos nada fáceis de explicar para pessoas que nunca estiveram no Brasil , não é mesmo?  É também o pesadelo recorrente de tradutores e o tipo de vocabulário que os alunos adoram levar pra classe, pra testar o conhecimento e jogo de cintura do professor😉

Enfim, veja só como a BBC explica o sistema de cotas,  o conceito de vestibular e como eles parecem confusos tentando estabelecer uma conexão entre prestígio acadêmico e subsídios governamentais nas escolas públicas e pagas:

The Brazilian Senate has approved a bill that reserves half the places in the country’s prestigious federal universities to state school students. (…) The reserved spots will be distributed among black, mixed race and indigenous students according to the racial make-up of each Brazilian state. Private school students are usually better prepared than pupils from the public school system for the tough university entry exams (…) They get most of the places in federal universities, which paradoxically are heavily subsidised and virtually free of charge.

Mas esta foi apenas uma notícia de jornal, enquanto que o artigo sobre o rodízio de carnes poderia entrar facilmente na categoria ensaio (poético):

Suffice to say that it’s an all-you-can-eat affair. Now, try to imagine all the prime cuts of meat you can eat for a fixed price served sizzling, steaming and smoking on your plate and you can just begin to imagine it for what it is, and what wonders you’re in for when you take your place. The word rodízio means something that swivels, circles, rotates, gyrates, that comes or goes round. In our case it’s the waiters who come round, and round, and round, and… Get the idea? They only stop coming round when you say ‘enough’ or simply collapse, prostrated through exhaustion brought on by SPS (Sudden Protein Shock).

Foram boas soluções, na sua opinião? Você teria explicado de outra maneira? Quais outros conceitos são particularmente complicados de definir?

A versão integral dos textos você encontra aqui:                                                                http://www.bbc.co.uk/news/world-latin-america-19188610            http://www.teclasap.com.br/blog/2006/11/22/artigo-barbecue-in-abundance/

About Isabella Ferraro

English examiner, teacher and frustrated ballerina. Geek, gauche, obsessed with books, podcasts and the web. Dedicated professional and blogger, tho. More info below blog's header.
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7 Responses to The lost art of defining a concept

  1. Oi Isabella, tudo bem? Eu tenho uma dúvida e acredito que você seja a pessoa mais indicada para tirar a minha dúvida! Eu tenho uma aluna que é “aviation lawyer”. Qual seria a correta tradução da profissão dela? É correto dizer que ela é uma advogada especialista em aeronáutica? Desculpe-me por escrever em uma de suas postagens, mas como não tenho seu e-mail, não havia outro meio de me comunicar com você…Agradeço antecipadamente pela “mãozinha”. Bjs, Ana

    • Olá, Ana, tudo ótimo, e você, como vai?
      Em linhas gerais, traduzimos como “Advogada Especializada em Direito Aeronáutico”. Porém, frequentemente temos profissionais que se descrevem de modo mais específico, como “Advogado Especializado em Regulação de Aviação”, vale a pena ver com ela se a primeira definição dá conta do recado ou se ela precisa de algo mais detalhado.
      Espero ter ajudado, beijo!

  2. Pingback: The World’s Worst Typos, in pictures | English as a Foreign Language

  3. Muito bom, Paulo, concordo completamente quando você diz que o que tá em falta é a pesquisa. O autor do texto sobre o rodízio, inclusive, fala como a definição é impossível se a pessoa busca apenas uma única palavra correspondente – uma contextualização por si só às vezes já resolve o drama da conceitualização.
    Quando você mencionou a explicação de uma cor para os cegos, lembrei de todo o exercício feito pela Terezinha Rocha com o Dicionário de Filosofia em LIBRAS, para se explicar em sinais conceitos abstratos como “metafísica” e “essência”. Tarefa árdua, não?
    Gosto especialmente dos fóruns de comparação e discussão na internet, quando tô envolvida com traduções e versões me esbaldo. Com o Urban Dictionary tenho sempre muita, mas muita cautela😉

  4. Paulo Rená says:

    Acho que a arte de definir conceitos, Isabella, segue sendo muito bem exercida, por exemplo, em dicionários colaborativos como o Wikcionário ou o Urban Dictionary. Sem falar no excelente exercício bem humorado da Desciclopédia.

    Nesses três casos, a comparação entre os verbetes em inglês e português dá a qualquer pessoa interessada de de boa fé uma boa chance de compreender um conceito e, mais, de comparar as diferentes visões sobre esse conceito. Acho que a “arte perdida” mesmo é a pesquisa. O que não falta por aí é gente com preguiça de pesquisar ou com humildade de perguntas mas cheia de certezas sobre as definições das coisas.

    “Quais outros conceitos são particularmente complicados de definir?” Acho que nenhum conceito seja particularmente fácil de explicar para quem nunca teve contato. A história de explicar um cor para um cego. Mas se houver uma pontezinha entre as culturas, entre as bagagens de quem diz e de quem houve, fica fácil usar uma metáfora, uma analogia, uma comparação e explicar.

    Eu mesmo, e aí não colaborativa mas individualmente, tenho uns “exercícios” em definir as coisas, que eu chamo de “verbete da vez”.😉

  5. Pingback: Direito autoral: copiar é crime? | HIPERFÍCIE

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